Fátima Fílon lança terceiro da série de cordéis que homenageia animais
“Gatos”, o novo trabalho, a exemplo dos anteriores, aborda aspectos variados da vida dos bichos
Clóvis Vicente
A poetisa e escritora Fátima Fílon pretende lançar oficialmente neste mês de março mais um exemplar de sua nova série de cordéis. O novo trabalho se chama “Gatos” e é o terceiro de coletânea que homenageia animais – os outros dois trabalhos anteriores homenagearam a anta e o burro, respectivamente. A proposta do trabalho atual é a mesma das obras anteriores: fazer uma abordagem completa do animal publicado, englobando o lado da convivência com os humanos, sua utilidade donos e também o seu lado comportamental.
Fátima explica que todos os livros da coletânea de sua nova série de cordéis têm justamente a finalidade de valorizar os bichos, abordando o tanto que eles nos ensinam com seus comportamentos, gestos e atitudes instintivos e puros, desprovidos de qualquer malícia ou maldade. “O cachorro, por exemplo, que será tema de um próximo lançamento, você o humilha, toca e desfaz dele, mas no momento que você olha para o bichinho, ele esquece tudo e vem te agradar. Quer atitude mais humilde e mais pura do que essa?”, enfatiza.
Com o objetivo de atingir um público de todas as idades, mas especialmente as crianças que estão cursando o Ensino Fundamental, tanto de escola públicas como escolas particulares, a poetisa e escritora informa que procurou agregar nos textos elementos da mitologia clássica e também de crendice popular a fim de expandir a abordagem sobre cada animal. Isso fica bem evidenciado no cordel “Gatos”, onde a autora enfoca as lendas sobre gatos, principalmente os pretos, e também aborda a deusa grega Artemis, que tem cara de gato. “Procuro nesses cordéis fazer uma abordagem lúdica, harmônica e a filosófica da vida dos animais”, detalha.
O lançamento do cordel “Gatos” ainda será programado por Fátima. Ela revela que muitas escolas de Mogi Guaçu (SP), cidade onde mora, querem abrigar o evento. “Mas confesso que ainda não tenho nada definido”, salienta. O lançamento dos cordéis em escolas é uma prática adotada há muito tempo, desde que ela começou a publicar este tipo de literatura, nos Anos 90. Sua paixão e dedicação pelos cordéis aumentaram em 2002, quando participou de um concurso da Companhia do Metrô, em São Paulo (SP), e venceu. “O prêmio, as homenagens que recebi e a publicação do meu cordel em todas as estações paulistanas do Metrô me fizeram interessar muito mais por este estilo”, admite.
A partir do concurso do Metrô, ela passou, além de escrever, a divulgar muito mais este tipo de expressão cultural, que é muito forte no Nordeste brasileiro. “Vi que particularmente em Mogi Guaçu não tinha quem praticasse este tipo de literatura e então comecei a fazer a divulgação deste trabalho e hoje eu levo o estilo cordel para várias cidades da região, como Campinas, Estiva Gerbi, Mogi Mirim e Itapira, entre várias outras”, completa.
Entre livros de contos, poemas, poesias e cordéis, Fátima Fílon tem mais de 25 títulos publicados. Ela conta que a sua paixão pela literatura surgiu quando ainda era criança. Como nasceu em uma fazenda, onde morou até os nove anos de idade, começou escrevendo sobre as plantas e animais do local, sendo que sua primeira poesia – que foi sobre o pato – está guardada até hoje. Como gostava muito de literatura, passou a pesquisar os diversos estilos literários existentes, inclusive o cordel. Atualmente domina todos os tipos de técnicas literárias e as explora em diferentes tipos de textos.
Com o conhecimento que tem, Fátima vem procurando divulgar ao máximo a literatura, principalmente para crianças, adolescentes e jovens que estão em idade escolar, independente de classes sociais. Ela faz isso através de trabalhos voluntários que desenvolve há anos. “Faço isso não só para que um maior número possível de pessoas conheça estas modalidades culturais, mas para que muitas delas se sintam estimuladas e ingressem no universo da cultura, como leitor e principalmente como escritor”, detalha. Este ano a escritora e poetisa guaçuana se forma em letras. Este foi o meio encontrado por ela para transmitir seus vastos conhecimentos literários e principalmente para aprender um poço mais sobre o mundo da escrita. “Conhecimento nunca é demais e em qualquer idade nós podemos aprender coisas novas, especialmente o que envolve a cultura, a arte e a educação”, ensina. |