ELLEN DE A. COSTA
CRN: 4638
E-MAIL: NUTRIELLEN@HOTMAIL.COM

De um modo geral, o pensamento falho e doentio das pessoas portadoras de TRANSTORNOS ALIMENTARES se caracteriza por uma obsessão pela perfeição do corpo. Essa busca obsessiva da perfeição do corpo tem várias formas de se manifestar, algumas delas, diferem notavelmente entre si. Existem os Transtornos Alimentares mais tradicionais (Anorexia e Bulimia nervosas) mas, não obstante, existem outros que se estimulam e desenvolvem na denominada "cultura do esbelto".
Os Transtornos Alimentares são definidos como desvios do comportamento alimentar que podem levar ao emagrecimento extremo (caquexia) ou à obesidade, entre outros problemas físicos e incapacidades.
O impacto que os Transtornos Alimentares exercem uma força maior sobre as mulheres, porem, a incidência masculina esta aumentando assustadoramente. A Vigorexia, por exemplo, tem sido predominante nos homens, mas já se estão detectando casos de mulheres obcecadas pelo músculo.
Essa "epidemia" se multiplica numa população patologicamente preocupada com a perfeição do corpo e que está sendo afetada por alterações psíquicas caracterizadas por distúrbios na representação pessoal do corpo. Os Transtornos Alimentares vêem aumentando sua incidência perigosamente.
Os chamados de transtornos alimentares fazem o paciente desenvolver uma relação doentia com a comida - ou se enchem excessivamente em uma única refeição para depois colocar tudo para fora (bulimia) ou ficam dias sem comer (anorexia).
Os portadores da doença desenvolvem uma obsessão pelo corpo e distorcem a auto-imagem de tal maneira que se sentem gordos mesmo estando com baixo peso. O resultado é a paulatina deterioração física e mental, que começa com sintomas leves (queda dos cabelos) até complicações cardiovasculares, renais e endócrinas graves que podem levar a morte.
Todos estes Transtornos Alimentares compartilham alguns sintomas em comum, tais como, desejar uma imagem corporal perfeita e favorecer uma distorção da realidade diante do espelho. Isto ocorre porque, nas últimas décadas, ser fisicamente perfeito tem se convertido num dos objetivos principais (e estupidamente frívolos) das sociedades desenvolvidas.
As pessoas devem ter em mente os fatores de risco da Anorexia Nervosa e da Bulimia:
- Meninas adolescentes e adultas jovens de classe média e média-alta;
- Meninas que aspiraram trabalhar em atividades que privilegiam e enfatizam o estado de magreza do corpo (atores, modelos, bailarinas e desportistas);
- Ex- gordas ou com excesso de peso que se tornam obsessivas por práticas freqüente de dietas;

  1. História familiar de transtorno obsessivo-compulsivo;

- Baixa auto-estima, expectativa de grandes desempenhos (feitos), perfeccionismo, insegurança no relacionamento social, dificuldade em identificar e expressar sentimentos;
ANOREXIA NERVOSA

A Anorexia nervosa é um transtorno emocional que consiste numa perda de peso derivada e num intenso temor da obesidade. Esses sentimentos têm como conseqüência uma serie de condutas anômalas.
Os sintomas mais freqüentes são:

  1. Medo excessivo de ganhar peso, 
  2. Pouca ingestão de alimentos ou dietas severas,
  3. Imagem corporal distorcida,
  4. Sensação de estar gorda,
  5. Grande perda de peso (em um período curto de tempo),
  6. Sentimento de culpa ou depreciação por ter comido,
  7. Hiperatividade e exercício físico excessivo,
  8. Perda da menstruação,
  9. Mudanças no caráter (irritabilidade, tristeza, insônia, etc.).

BULIMIA NERVOSA

A Bulimia Nervosa é um transtorno mental que se caracteriza por episódios repetidos de ingestão excessiva de alimentos num curto espaço de tempo (as crises bulímicas), seguido por uma preocupação exagerada sobre o controle do peso corporal, preocupação esta que leva a pessoa a adotar condutas inadequadas e perigosas para sua saúde.
Os sintomas mais freqüentes são:

  1. Comer compulsivamente e a escondidas,
  2. Preocupação constante em torno da comida e do peso,
  3. Condutas inapropiadas para compensar a ingestão excessiva com o fim de não ganhar peso, tais como o uso excessivo de laxantes, diuréticos e vômitos provocados.
  4. Manutenção do peso pode ser normal ou mesmo elevado,
  5. Erosão do esmalte dentário, podendo levar à perda dos dentes,
  6. Mudanças no estado emocional, tais como depressão, tristeza, sentimentos de culpa e ódio para si mesma.

 

 

 

Vejamos alguns exemplos de outros Transtornos Alimentares.

1 - Síndrome do Gourmet
As pessoas vivem preocupadas (mais que o normal) com a preparação, compra, apresentação e ingestão de pratos especiais, diferentes. Podem continuar com esse tipo de preocupação e atividade, muito embora tenham perdido o interesse nas suas relações sociais, familiares e ocupacionais.
Acredita-se que tal alteração possa ser conseqüência de lesões ou alterações funcionais no hemisfério cerebral direito, tais como tumores, traumatismos, hemiplegia, etc.
2 - Transtorno Alimentar Noturno
É grande a incidência - de 1 a 3% da população – das pessoas que se levantam a noite para comer, ainda que continuam dormidos. Não são conscientes do que fazem e não lembram de nada ao despertar. Quando contamos o que fizeram, negam. A despeito desse "assaltos" noturnos à cozinha, a maioria desses pacientes faz regime durante o dia. Também ocorre em alcoolistas, pessoas que fazem uso de drogas e pessoas com transtornos do sono.
3 - Pica
As pessoas com este transtorno se sentem impulsionadas a ingerir sustâncias não comestíveis: sabonete, argila, gesso, casquinhas de pintura, alumínio, cera, tijolo, etc. Isso pode acontecer em mulheres com tendência histérica, grávidas e como conseqüência de déficits alimentares sérios.
4- Síndrome de Prader-Willy
É um defeito que pode afetar as crianças independentemente do sexo, raça ou condição social, de natureza genética e que inclui baixa estatura, retardo mental ou transtornos de aprendizagem, desenvolvimento sexual incompleto, problemas de comportamento característicos, baixo tono muscular e uma necessidade involuntária de comer constantemente, a qual, unida a uma necessidade de calorias reduzida, leva invariavelmente à obesidade.
É um problema congênito associado à um tipo de retrardo mental. Essas pessoas não têm controle ao aceso à comida, comem sem parar até que acabam morrendo. Parece estar relacionado com um mau funcionamento do hipotálamo. O Prozac ajuda controlar o problema que, de momento, não tem cura.
5 - Comedores compulsivos
As pessoas com este transtorno apresentam freqüentes crises, durante as quais sentem que não podem parar de comer. Comem depressa e às escondidas, ou não deixam de comer o dia todo. Apesar desses pacientes se sentirem culpados e envergonhados por sua falta de controle, eles não apresentam atitudes compensatórias e compulsivas (vômito, laxantes...) típicas dos pacientes com Bulimia. Normalmente eles têm um histórico completo de fracassos em diversas dietas e regimes para emagrecimento. Normalmente são pessoas depressivas e obesas.
Esta compulsão alimentar incontrolável leva os pacientes a ingerir quantidades exageradas de alimentos em um curto espaço de tempo. Estes ataques de comer (binge eating) devem ocorrer com uma freqüência mínima de 2 vezes por semana para que seja diagnosticada a síndrome. PAra o diagnóstico do Transtorno do Comer Compulsivo sugere-se os seguintes critérios:

1 Episódios repetidos de ataques de comer;
2 - Durante os episódios, 3 dos indicadores abaixo devem estar presentes:
- Comer muito mais rápido do que o normal,
- Comer até se sentir desconfortavelmente empanturrado,
- Comer grandes quantidades de comida, mesmo sem fome,
- Comer sozinho, com vergonha da quantidade,
- Sentir-se culpado e/ou deprimido depois do episódio,

 

Terapia nutricional na anorexia e bulimia nervosas

A fase educacional tem objetivos relacionados a coleta e transmissão de informações: a história alimentar do paciente, o estabelecimento de uma relação de colaboração, a definição de conceitos relevantes sobre alimentos, a apresentação de exemplos de padrões de fome e de consumo alimentar e a orientação básica para a família.
O terapeuta nutricional encontra-se com o paciente com TA durante um longo período de tempo e enfrenta a complexa arena da dinâmica das relações humanas. Portanto, necessitam, de alguma forma, desenvolver habilidades psicoterapêuticas, compreendendo o potencial de comportamentos manipulativos e a magnitude da negação entre os pacientes para que não concordem inconscientemente com o estilo de vida imposto pelo TA.
Os atributos mais importantes para o nutricionista são: um amplo conhecimento da ciência da nutrição, habilidade no aconselhamento educacional e comportamental e uma atitude empática e de não julgamento. Trabalhar com pacientes com TA pode ser especialmente estressante para o nutricionista devido à importância das questões alimentares na doença. Daí a importância de entender conceitos psicoterapêuticos e manter comunicação com os demais profissionais da equipe.
O tratamento nutricional dos TA deve envolver ainda o uso do Diário Alimentar. Nele, os pacientes registram o horário, o local onde foram feitas as refeições, a qualidade e a quantidade dos alimentos ingeridos, além da ocorrência de episódios de compulsão alimentar e compensações. É uma técnica comportamental de automonitoração, na qual os sentimentos associados àquele momento são também registrados. O uso do diário alimentar é prática recomendada e de bom resultado no tratamento dos TA.

A reabilitação e o aconselhamento nutricional na anorexia nervosa
No tratamento em nível ambulatorial, as metas da reabilitação nutricional são: a recuperação do peso, a cessação dos comportamentos para perda de peso, melhora nos comportamentos alimentares e melhora no estado psicológico e emocional. Apenas a recuperação do peso não indica recuperação total e forçar o ganho de peso sem suporte psicológico é desaconselhável. O plano nutricional deve ajudar o paciente, o mais rápido possível, a consumir uma dieta que seja adequada em energia e nutricionalmente balanceada. O nutricionista deve monitorar a ingestão dietética assim como a composição corporal para assegurar um ganho de peso apropriado.

A reabilitação e o aconselhamento nutricional na bulimia nervosa
A Terapia Nutricional na BN objetiva adequar os padrões nutricionais e reeducar os comportamentos alimentares inadequados. O aconselhamento nutricional faz parte da terapia cognitiva recomendada para o tratamento da BN. Ele promove orientação alimentar para o estabelecimento de padrões nutricionais adequados. Seus objetivos principais são: a eliminação do ciclo "compulsão alimentar - purgação", o estabelecimento de um padrão alimentar adequado e a modificação de atitudes relacionadas a alimento e
peso. De modo ideal, objetiva-se que a alimentação volte a ser  adequada e normal.
Como os Transtornos Alimentares são doenças complexas, o seu tratamento  deve contar com uma equipe de especialistas. O nutricionista é o único profissional qualificado para implementar a Terapia Nutricional, necessitando de formação especial e experiência na área, além de interação com os demais membros da equipe.