ELLEN DE A. COSTA
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HÁBITOS ALIMENTARES

A Alimentação e a Nutrição adequada são direitos fundamentais de qualquer ser humano. É de fundamental importância que o individuo adquira desde a infância a adoção de práticas alimentares saudáveis para que esta se estenda por toda vida.
A má alimentação está sendo destacada como fator determinante direto de patologias como Obesidade e de algumas Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), por isso a Educação Nutricional deve ser seguida pela população para que se tenha uma alimentação mais saudável desde a infância até a fase adulta. Com a ingestão de uma dieta equilibrada tanto em quantidade como em qualidade, o organismo adquire energia e nutrientes necessários para o desempenho de suas funções, manutenção e um bom estado de saúde. De longa data, conhecem-se os prejuízos decorrentes de uma alimentação inadequada, quer do consumo alimentar insuficiente – as deficiências nutricionais, como a desnutrição - quer do consumo alimentar excessivo – como a obesidade.
Um dos maiores desafios quando se fala em alimentação saudável é a mudança de hábito da população. O processo de educação alimentar deve envolver toda a família uma vez que o adulto é o espelho para a criança.
Há algumas décadas as práticas alimentares da população mudou em conseqüência de novas ações geradas pelo estilo de vida, as pessoas tem de adequar sua vida segundo as condições das quais dispõe. As práticas alimentares foram influenciadas pelos avanços tecnológicos na indústria de alimentos e na agricultura, e por isso têm sido objeto de preocupação das ciências da saúde desde que os estudos epidemiológicos constataram relação entre a dieta e algumas doenças crônicas associadas à alimentação.
Os progressos tecnológicos que surgiram com a intenção da facilitar a vida das pessoas, de um lado contribuem pela facilidade, por outro, têm proporcionado mudanças comportamentais e inovações dentro do ambiente familiar. Assim, o uso de alimentos industrializados com alto teor calórico, as propagandas de alimentos dos mais variados tipos, são cada vez mais freqüentes e variados sendo, em geral, caracterizados por alimentos de baixa qualidade nutricional e de valor calórico elevado, proporcionando conflitos entre pais e filhos, visto que estes não sabem separar o que é mais adequado para sua alimentação.
A obesidade é um problema real e têm se verificado o aumento da prevalência desta doença em diversos grupos e faixas etárias. Isso vem ocorrendo, devido à modificação na alimentação e diminuição da atividade física. Mudanças ocorridas nos hábitos alimentares associadas com alterações no estilo de vida podem ter contribuído para que esses níveis de obesidade se elevassem significamente.
            A obesidade é definida, como uma patologia caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, que acarreta prejuízos à saúde dos indivíduos, tais como dificuldades respiratórias e distúrbios do aparelho locomotor, dislipidemias, doenças cardiovasculares, e Diabetes Tipo II, onde as causas estão totalmente ligadas às mudanças no estilo de vida e aos hábitos alimentares. A OMS, 1998, a define como o acúmulo excessivo de gordura corporal com potencial prejuízo à saúde, decorrente de vários fatores sejam esses genéticos ou ambientais, como padrões dietéticos e de atividade física.
            O estabelecimento de dietas saudáveis deve contemplar como prioridade a prevenção do ganho de peso e o não aparecimento das DCNTs. A inclusão de uma ingestão balanceada de alimentos e da atividade física no âmbito de comportamentos refletem uma vida saudável e desta forma, a promoção da saúde.
Para que haja promoção dos hábitos alimentares saudáveis, é importante que as pessoas tenham conhecimentos de Alimentação e Nutrição. Os hábitos alimentares são destacados como determinantes diretos da obesidade e a Educação Nutricional têm sido abordada como tática a ser seguida para que a população tenha um hábito alimentar mais saudável e, dessa forma, um peso adequado.
O Ministério da Saúde vem propondo medidas preventivas para a manutenção do peso saudável na população Brasileira. Com base nos índices crescentes da obesidade no País, o MS elaborou dez passos para o peso saudável, com o objetivo de aumentar o nível de conhecimento da população sobre a importância da promoção à saúde e de se manter num peso saudável; modificar atitudes e práticas sobre alimentação e atividade física; prevenir o excesso de peso.
Esses dez passos são:
1) Ingerir frutas e verduras variadas, pelo menos duas vezes ao dia;
2) Consumir feijão pelo menos quatro vezes por semana;
3) Evitar alimentos gordurosos (como carnes gordas, salgadinhos e frituras);
4) Retirar a gordura aparente das carnes e a pele do frango;
5) Nunca pular refeições (fazer três refeições e um lanche por dia);
6) Evitar refrigerantes e salgadinhos de pacote;
7) Fazer as refeições com calma e nunca na frente da televisão;
8) Praticar atividade física diária;
9) Subir escadas ao invés de usar o elevador, caminhar sempre que possível e não passar longos períodos sentado assistindo à TV;
10) Acumular trinta minutos de atividade física todos os dias.
Os guias alimentares (pirâmide) são ferramentas de orientação e representa conjunto de regras onde englobam conhecimentos científicos sobre recomendações Nutricionais e composição de alimentos para transmitir mensagens práticas que facilitem a seleção e a ingestão de alimentos adequados, levando-se em consideração os fatores culturais, educativos, sociais e econômicos, para alimentação adequada e a formação de hábitos alimentares adequados. Um dos motivos para a sua elaboração é prevenir tanto os excessos quanto as carências nutricionais, uma vez que a essencialidade de sua mensagem é a moderação e a proporcionalidade.

A Pirâmide Alimentar Adaptada a população brasileira foi construída com os alimentos distribuídos em oito grupos (cereais, frutas, vegetais, leguminosas, leite, carnes, gorduras e açúcares) de acordo com a contribuição de cada nutriente básico na dieta. Cada nível foi apresentado em porções mínimas e máximas a serem consumidas durante o dia. A Pirâmide Alimentar Adaptada pode ser utilizada como instrumento para orientação nutricional de indivíduos e grupos populacionais, respeitando-se os hábitos alimentares e as diferentes realidades regionais e institucionais de cada individuo.
A prevenção da obesidade ainda esta sendo a melhor forma de tratamento. O tratamento para o obesidade mudou significantemente nos últimos anos, onde o objetivo final é alcançar o peso saudável. Os esforços para controle da obesidade devem contar não somente com médicos, mas também com a sociedade em geral, incluindo as indústrias
alimentícias e agências governamentais.
Em função do aumento da obesidade, algumas medidas podem ser sugeridas, como: elaboração e adoção de uma pirâmide alimentar brasileira, de acordo com nossos padrões sócio-culturais e econômicos, redução do custo de alimentos com menor conteúdo calórico e/ou gorduroso, priorizar a construção de parques e centros esportivos públicos em bairros onde vive a população mais carente, monitorar a evolução dos indicadores de prevalência e controle da obesidade, considerando aspectos regionais, etários e socioeconômicos, a fim de avaliar, aprimorar e, eventualmente, substituir as intervenções implementadas, introdução de uma boa prática dietética dentro do currículo escolar, a começar da merenda, freqüentemente baseada em opções não balanceadas e seguindo padrões norte-americano. Uma análise das conseqüências da obesidade torna urgente a adoção destas medidas, para que haja a prevenção da mesma. (SERRA, 2003).
É certo que, mesmo que seja difícil, devemos e podemos melhorar o controle da obesidade. É necessário definir estratégias e priorizar o direcionamento de recursos a fim de atingir os objetivos desejados. (SERRA, 2003)